China bane versão especial do Windows 10 em órgãos de governo

Governo chinês mandou órgãos estatais abandonarem versão especial do Windows 10. Medida cita segurança, mas reflete o distanciamento da China em relação aos EUA.

Emerson Alecrim
• Atualizado às 11:21
Resumo
  • O governo da China proibiu o uso do Windows 10 China Government Edition em órgãos públicos devido a preocupações com a segurança digital.
  • A Microsoft afirma não ter conhecimento de problemas de segurança nessa versão especial do sistema.
  • O governo chinês pode estar buscando reduzir a dependência de tecnologias americanas, considerando opções chinesas como o HarmonyOS da Huawei e distribuições Linux Kylin e UOS.

O Ministério da Segurança do Estado da China ordenou que determinados órgãos governamentais deixem de utilizar uma versão especial do Windows 10 em seus computadores. O motivo alegado: preocupações com a segurança digital. Mas essa também é vista como uma ação de distanciamento de tecnologias americanas.

Para ser exato, o governo chinês determinou o fim do uso do Windows 10 China Government Edition. Trata-se, de fato, de uma versão especial do sistema desenvolvida pela C&M Information Technologies (CMIT), uma joint venture criada em 2016 pela Microsoft e a estatal China Electronics Technology Group. O lançamento oficial ocorreu em 2017.

A tal versão é baseada no Windows 10 Enterprise, mas suprime recursos normalmente direcionados a usuários finais, como o aplicativo do OneDrive. Ao mesmo tempo, essa versão prioriza recursos que permitem aos órgãos públicos que a usam terem mais controle sobre coleta de dados e atualizações do sistema, por exemplo.

Se é assim, por que a China quer se livrar dessa edição do Windows 10?

O plano original era o de descontinuar o Windows 10 China Government Edition em fevereiro de 2027, quando o sistema completaria um ciclo de vida de dez anos. Mas, de acordo com a Bloomberg, o governo da China optou por antecipar a descontinuação devido a preocupações com segurança, como já informado.

Contudo, as autoridades chinesas não explicaram quais aspectos do Windows 10 estão no cerne dessa preocupação. Além disso, a Microsoft informou à Bloomberg não ter conhecimento sobre nenhum problema de segurança na tal versão especial do sistema e que atualizações de software continuam sendo oferecidas a ela.

É isso que levanta a hipótese de, na verdade, este ser um passo de distanciamento do governo chinês em relação a tecnologias americanas, dada a tensão política existente entre China e Estados Unidos que se fortaleceu nos últimos anos.

Reforçam essa possibilidade as opções de sistemas operacionais que estão sendo consideradas para a substituição: em vez do Windows 11, o HarmonyOS, da Huawei, e as distribuições Linux Kylin e UOS.

Vale lembrar que as versões “normais” do Windows 10 tiveram o seu suporte encerrado em outubro de 2025. Porém, ainda é possível atualizar o sistema por meio do programa Atualizações de Segurança Estendidas (ESU).

Originalmente, as atualizações seriam oferecidas somente até outubro de 2026 para PCs domésticos. Contudo, a Microsoft estendeu o ESU do Windows 10 para consumidores até outubro de 2027, sem custo adicional.

Para usuários domésticos, o ESU do Windows 10 pode ser ativado por meio de um pagamento de US$ 30 ou via procedimentos gratuitos. Para empresas, o programa é pago e pode ter duração de até três anos, com renovação anual.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Foi reconhecido nas edições 2023, 2024 e 2025 do Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.