Google limita acesso de funcionários da Meta ao Gemini

Empresa de Mark Zuckerberg teria passado do limite contratado para usar a IA do Google em tarefas internas.

Felipe Faustino
Resumo
  • Google limitou o acesso da Meta ao Gemini, sua ferramenta de IA.
  • Medida ocorre após a empresa de Mark Zuckerberg ultrapassar o limite de capacidade de processamento contratado para uso interno.
  • A Meta usa o Gemini em tarefas internas e já reconheceu que a ferramenta teve desempenho melhor que o modelo Llama em algumas funções.

O Google impôs um limite ao uso do Gemini pela Meta depois que a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp passou da capacidade de processamento prevista em contrato. A restrição atingiu ferramentas usadas internamente pela empresa para criar códigos, manter chatbots e ajudar em tarefas de moderação.

Segundo o Financial Times, executivos da Meta reconheceram que o Gemini teve desempenho melhor que o modelo proprietário Llama em algumas das funções. A empresa também usa outros sistemas de terceiros, como o Claude, da Anthropic, para atividades semelhantes.

Meta usa Gemini em áreas internas

A Meta tem investido pesado no Llama, mas isso não significa que use apenas seus próprios modelos de IA. De acordo com a reportagem, a empresa contratou o Gemini para tarefas específicas em que a tecnologia do Google teria apresentado resultados melhores.

Entre os usos citados estão desenvolvimento e revisão de código, manutenção de chatbots usados em publicidade e suporte a canais de atendimento ao cliente.

O Gemini também seria usado em áreas de segurança e moderação, incluindo remoção de conteúdos nocivos e detecção de golpes nas redes sociais da Meta.

Google alertou empresa sobre consumo

O limite foi imposto após a Meta estourar a cota de processamento contratada com o Google. Em março, a empresa teria recebido um alerta sobre o consumo elevado de recursos do Gemini.

Após o aviso, a diretoria de tecnologia da Meta pediu que engenheiros e funcionários fossem mais eficientes no uso de tokens de IA — unidade usada para medir o volume de texto processado pelos modelos — e deve implementar uma plataforma de rastreamento de consumo.

Quanto maior o número de comandos, respostas, revisões de código e interações automatizadas, maior o consumo — e, portanto, de capacidade computacional. Diferente de Google, Microsoft e Amazon, a Meta ainda não tem uma grande operação própria de computação em nuvem para vender capacidade de processamento a clientes externos.

Demanda pressiona big techs

No mês passado, Mark Zuckerberg disse que entrar nesse mercado está “em consideração”. Segundo ele, a Meta é procurada frequentemente por empresas interessadas em capacidade de processamento ou acesso a APIs.

Para 2026, a Meta prevê gastar entre US$ 125 bilhões (cerca de R$ 650 bilhões) e US$ 145 bilhões (R$ 750 bilhões) em investimentos ligados à inteligência artificial.

A limitação imposta à Meta não significa que o Google esteja imune ao problema. A própria empresa também tem buscado capacidade externa para sustentar a demanda por seus produtos de IA. Segundo o portal Engadget, o Google fechou um acordo para pagar US$ 920 milhões (R$ 4,7 bilhões) por mês à SpaceX pelo uso de data centers da xAI no processamento do Gemini Enterprise.

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Felipe Faustino

Redator

Felipe Faustino é bacharel em jornalismo pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp). Escreve sobre tecnologia, eletrônicos e ciências, editoria na qual também atuou pelo Jornal da USP. Além de jornalista, fã de tecnologia e fissurado por questões de meio ambiente, é, sobretudo, apaixonado pela DC Comics e pelo SPFC.