Google queima dinheiro e aumenta previsão de investimentos em IA
Fluxo de caixa livre fica no vermelho pela primeira vez em mais de uma década. Previsão de despesas de capital no ano sobe para US$ 205 bilhões.
Fluxo de caixa livre fica no vermelho pela primeira vez em mais de uma década. Previsão de despesas de capital no ano sobe para US$ 205 bilhões.

A Alphabet, dona do Google, divulgou seus resultados financeiros na última quarta-feira (22/07). Um fato chamou a atenção: o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões, em conversão direta).
Fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra das operações da empresa depois de descontados os investimentos em bens de capital. Isso significa que o Google investiu em infraestrutura mais do que gerou de caixa operacional, tendo que recorrer a reservas para cobrir a diferença.
E por que isso aconteceu? Como você deve imaginar, tem a ver com os grandes investimentos que o Google (e outras gigantes da tecnologia) têm feito em inteligência artificial.

Anat Ashkanazi, diretora-chefe de finanças do Google, disse em uma chamada com investidores e analistas que o número negativo se deve às despesas de capital, nome técnico para os investimentos em ativos de longo prazo, como servidores, equipamentos e data centers. Isso é diferente das despesas operacionais do dia a dia.
Esse dinheiro está indo para a IA. De acordo com a executiva, a companhia gastou US$ 45 bilhões no segundo trimestre, com 60% indo para servidores e 40% para data centers. A previsão atualizada é que a Alphabet feche o ano com despesas de capital na casa dos US$ 205 bilhões. Antes, a companhia esperava que esse número ficasse em US$ 190 bilhões.
O Google não é a única empresa a gastar muito com IA e prejudicar seu fluxo de caixa livre. Como a Reuters observa, a Meta deve ficar com US$ 1,85 bilhão, uma queda de 95,7% na comparação com 2025, enquanto a Microsoft deve fechar o ano fiscal em junho com US$ 25,39 bilhões em dinheiro, menos que os US$ 58,74 bilhões estimados no ano anterior.
Apesar do fluxo de caixa livre negativo, o balanço financeiro da Alphabet também trouxe boas notícias. As receitas trimestrais do segundo trimestre de 2026 cresceram 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 119,8 bilhões.
A companhia também teve US$ 40,8 bilhões de lucro operacional, uma alta de 30% na comparação anual. A margem operacional foi de 34%, o que significa um crescimento de dois pontos percentuais.
Mesmo assim, os investidores mostraram preocupação com a queima de dinheiro: as ações da Alphabet tiveram queda de 4% nas negociações pós-fechamento do mercado.
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