Justiça dos EUA paralisa compra da Warner pela Paramount

Tribunal vê risco de violação das leis antitruste e suspende temporariamente acordo bilionário por 14 dias. Decisão marca audiência decisiva para agosto.

Felipe Faustino
• Atualizado às 17:50
Resumo
  • Justiça dos EUA suspendeu a compra da Warner pela Paramount por 14 dias.
  • A decisão atende a um pedido de procuradores-gerais de 12 estados, que alegam que o negócio pode violar a legislação antitruste.
  • A juíza distrital Araceli Martínez-Olguín marcou uma audiência para 3 de agosto para avaliar a concessão de uma liminar de maior alcance.

A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. A decisão desta segunda-feira (20/07) da juíza distrital Araceli Martínez-Olguín impõe uma ordem de restrição válida por 14 dias para analisar o negócio. A audiência que avaliará a concessão de uma liminar de maior alcance foi marcada para 3 de agosto.

A medida atende a um pedido apresentado por procuradores-gerais de 12 estados norte-americanos, liderados pela Califórnia, que alegam que o negócio pode violar a legislação antitruste e prejudicar a concorrência no setor de mídia.

De acordo com a agência Reuters, a juíza considerou que a projeção de participação de mercado da nova empresa justifica a intervenção preventiva e diz que os estados demonstraram que o avanço da transação poderia causar “danos irreparáveis”. Segundo ela, o Tribunal está convencido “de que pode presumir que a fusão proposta provavelmente violará as leis antitruste”.

Paramount diz que fusão aumentará a concorrência

A Paramount afirmou que a suspensão temporária apenas mantém as condições atuais enquanto a Justiça analisa as antitruste, segundo a Variety. A empresa disse estar confiante de que as provas mostrarão que os argumentos apresentados pelos procuradores-gerais não refletem a realidade atual do mercado.

A Paramount sustenta que o mercado cinematográfico se tornou mais dinâmico com o crescimento de empresas como A24 e Amazon MGM. Também argumenta que o segmento de TV por assinatura está em declínio e que a união com a Warner Bros. Discovery criaria uma concorrente mais forte.

Segundo um porta-voz, a fusão é legal, favorável à concorrência e trará benefícios para consumidores, profissionais criativos, trabalhadores e para a indústria do entretenimento. Vale lembrar que o Departamento de Justiça dos EUA já aprovou o negócio.

Califórnia comemora suspensão

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, classificou a suspensão como um avanço na tentativa de impedir a operação: “Esta é uma primeira vitória crítica em nosso caso para garantir que essa megafusão nunca veja a luz do dia”.

Ele também minimizou, durante a semana, o risco de a Paramount ter de pagar cerca de US$ 650 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões) aos investidores da Warner caso a compra não se concretize até o fim de setembro.

À CNN, ele disse que essa “é uma escolha que a Paramount fez” e a empresa sabia que a fusão “teria que passar por um processo regulatório, e que isso levaria tempo”.

A cláusula foi incluída no acordo como parte da estratégia usada pela Paramount para superar a proposta concorrente da Netflix, avaliada em US$ 83 bilhões (R$ 423 bilhões).

Nos bastidores, porém, o CEO da WBD, David Zaslav, teria admitido que a negociação com a família Ellison poderia nem chegar ao fim — e não demonstrava grande preocupação com essa possibilidade. Isso porque, independentemente do desfecho, a Warner Bros. Discovery não deve sair perdendo em praticamente nenhum cenário.

Estados rejeitam acordos parciais

Bonta descartou a possibilidade de encerrar a disputa por meio de medidas paliativas, como um eventual plano para separar a CNN da empresa. O plano original da Warner Bros. envolvia essa separação, mas a oferta da Paramount inclui todo o portfólio da companhia.

Ele ainda rejeitou as especulações de que a Paramount poderia transferir sua sede para fora da Califórnia em retaliação ao processo.

Relacionados

Escrito por

Felipe Faustino

Felipe Faustino

Redator

Felipe Faustino é bacharel em jornalismo pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp). Escreve sobre tecnologia, eletrônicos e ciências, editoria na qual também atuou pelo Jornal da USP. Além de jornalista, fã de tecnologia e fissurado por questões de meio ambiente, é, sobretudo, apaixonado pela DC Comics e pelo SPFC.