Astrônomos podem ter identificado o primeiro registro de um sistema binário em que as duas estrelas terminaram suas existências em explosões de supernova. A descoberta foi apresentada em estudo publicado na revista Nature Communications nesta terça-feira (21).

FOTOS: Estrelas gêmeas podem ter explodido como supernovas em caso inédito

Descoberta

A pesquisa analisou dois restos de explosões estelares próximos entre si, IC 443, conhecida como Nebulosa da Água-viva, e G189.6+3.3, localizados a cerca de 6 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Gêmeos.

Origem do Caso

Os pesquisadores combinaram dados de diferentes observatórios para avaliar se os dois objetos eram apenas uma coincidência de alinhamento no céu ou se tinham uma origem comum. As evidências indicam que eles podem ter vindo de estrelas que nasceram juntas em um sistema binário.

Observações e Conclusões

Para chegar às conclusões, os cientistas utilizaram mais de 16 anos de observações do telescópio espacial Fermi, da NASA, além de informações obtidas anteriormente em faixas de luz como raios X, rádio, ultravioleta e luz visível.

Interacção com a Nuvem Interestelar

Os dados indicaram que os dois restos de supernova estão interagindo com a mesma nuvem de hidrogênio interestelar. Essa característica sugere que ambos estão próximos no espaço, com os centros das explosões separados por uma distância estimada entre 30 e 50 anos-luz.

Simulações e Conclusão

A equipe calculou que a chance de dois restos de supernova sem relação entre si aparecerem tão próximos seria de aproximadamente uma em mil. Esse resultado reforçou a hipótese de que os objetos tenham surgido de um mesmo sistema de estrelas massivas. As estimativas apontam que a explosão responsável por G189.6+3.3 ocorreu antes da formação de IC 443. A primeira estrela teria explodido entre 20 mil e 110 mil anos atrás, enquanto a segunda supernova teria acontecido há cerca de 8 mil ou 9 mil anos.

Simulações de Sistema Binário

Para verificar se esse cenário seria possível, os pesquisadores realizaram simulações com um milhão de sistemas binários. Os resultados mostraram que pares de estrelas massivas podem produzir duas supernovas separadas por dezenas de milhares de anos e ainda deixar rastros próximos no espaço.

Conclusão

A descoberta pode ajudar cientistas a compreender melhor como estrelas muito massivas evoluem quando fazem parte de sistemas duplos. Caso a ligação entre IC 443 e G189.6+3.3 seja confirmada por novas observações, o conjunto poderá funcionar como um laboratório natural para estudar o ciclo completo desses sistemas.

Autor: Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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