Eu estava em um restaurante japonês tradicional, jantando com outro executivo de tecnologia, quando a conversa foi sobre a questão de quando vamos parar com a carreira de tecnologia. Nossas carreiras foram diferentes, mas passamos por muita coisa parecida. Quem tem bons anos de tecnologia sabe do que estou falando.

Tá difícil parar…

A Profissão de Tecnologia e a Pressão

A tecnologia é uma carreira que exige um constante aprendizado e adaptação. Às vezes, a gente aprende a conviver com tudo isso. A gente reclama, sofre, xinga, resolve, ri depois e, no dia seguinte, começa tudo de novo. Quem trabalha com tecnologia sabe que essa carreira não é exatamente uma sequência de decisões racionais. Quem nunca fez uma alteração em produção no meio do expediente e pensou: "vai dar certo"? Quem nunca rodou um DELETE e, um segundo depois, percebeu que faltava o WHERE? Quem nunca resolveu um problema, foi perguntado sobre o que tinha acontecido e respondeu com a maior naturalidade: "Sempre digo para quem trabalha comigo: se você quer uma profissão em que ninguém te pressione, em que você seja lembrado principalmente quando tudo dá certo e em que um "muito obrigado" venha com frequência, talvez tecnologia não seja a melhor escolha."

A Inteligência Artificial (IA) e a Continuação da Aprendizagem

Hoje eu consigo testar uma ferramenta nova, escrever código, pesquisar, analisar e transformar uma ideia em algo concreto muito mais rápido. Levo comigo os acertos, os erros e aquela experiência que demora anos para aparecer: saber quando uma solução tecnicamente perfeita pode ser péssima para o negócio, e, principalmente, quando é melhor não fazer. Um estudo recente da OCDE aponta justamente nessa direção: a IA pode complementar competências acumuladas ao longo da carreira, em vez de simplesmente torná-las obsoletas. Eu não quero competir com alguém de 25 anos para descobrir quem aprende uma ferramenta nova primeiro. Quero descobrir o que acontece quando coloco essa mesma ferramenta em cima de tudo aquilo que levei décadas para aprender. Talvez a grande oportunidade da IA para quem já tem estrada seja exatamente essa: continuar aprendendo sem precisar começar do zero.

Conclusão

Hoje eu tenho a mesma energia que tinha aos 30 anos. A diferença é que tenho mais experiência e escolho muito melhor onde quero colocá-la. Foi aí que voltei para aquela conversa no restaurante japonês. Até quando vamos continuar fazendo isso? Só que agora ela vem acompanhada de repertório, experiência e ferramentas que naquela época eu nem imaginava que existiam. E o mundo, convenhamos, não está ficando com menos problemas para resolver. Eu só fiquei melhor em escolher os meus. Está mesmo sem idade para isso, ou só ainda não encontrou um desafio que valha a sua energia?

ArtificialColunistasDificilInteligenciaParar