A água-viva Turritopsis dohrnii, conhecida como a água-viva imortal, possui uma capacidade única de reverter seu ciclo de vida, voltando a uma fase juvenil mesmo após sofrer ferimentos ou envelhecimento. Este fenômeno tem chamado a atenção dos cientistas, que estão investigando os mecanismos genéticos por trás dessa capacidade para descobrir se eles podem contribuir para tratamentos contra doenças relacionadas ao envelhecimento. Uma das explicações está na transdiferenciação, um processo onde células adultas perdem suas características especializadas e assumem funções diferentes, permitindo a formação de novos polípios. A bióloga marinha Maria Miglietta, da Universidade A&M do Texas em Galveston, explica que, de uma água-viva que não morre, é possível obter uma colônia que pode formar centenas de águas-vivas adultas. Apesar do apelido de água-viva imortal, a espécie não é indestrutível. Predadores, falta de alimento e outros fatores ambientais podem provocar sua morte. Pesquisadores também estão analisando o papel do DNA nesse mecanismo. Um estudo de 2022 comparou o material genético da Turritopsis dohrnii com o de uma espécie relacionada que, até onde se sabe, não apresenta a mesma capacidade de rejuvenescimento. A análise identificou mais cópias de genes associados ao reparo do DNA e à manutenção dos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos. A manutenção dessas estruturas pode ajudar a explicar parte da longevidade da espécie. Pesquisas de 2019 e 2021 também encontraram atividade elevada de genes ligados a esses mecanismos. Apesar dos resultados, ainda não explicam completamente como ocorre o rejuvenescimento. Entre as principais questões que permanecem em aberto estão: quais mecanismos controlam a reversão do desenvolvimento celular; por que alguns exemplares não conseguem rejuvenescer; se existe um limite para o número de vezes que o processo pode ocorrer; e quais mecanismos genéticos também estão presentes em seres humanos. Pesquisadores esperam utilizar os segredos moleculares do animal para acelerar a cicatrização de feridas graves. O oncologista pediatra Michael Koldobskiy, da Universidade Johns Hopkins, colabora com Miglietta para investigar se processos semelhantes podem ser induzidos em células humanas. A expectativa é que esse conhecimento ajude, no futuro, a acelerar a recuperação de tecidos lesionados após AVCs ou ataques cardíacos. Também há interesse em investigar possíveis aplicações contra danos associados à perda de visão relacionada à idade e à neurodegeneração causada pelo Alzheimer.

A água-viva imortal: Desvendando a Fórmula para a Regeneração de Tecidos Humanos
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