Um estudo liderado pela Universidade de Stanford, publicado na revista Environmental Science & Technology, revelou que cerca de 25% dos data centers do mundo estão em regiões com escassez hídrica, o que pode aumentar para 33% em dez anos, em um cenário de aquecimento global de 3°C. Este estudo identificou que 41% dos data centers disputam recursos hídricos diretamente com cidades e municípios.

Consumo de Água
Os data centers consomem grandes volumes de água para resfriamento. Em 2025, os data centers do Google consumiram cerca de 10,9 bilhões de galões de água, equivalente a 41,3 bilhões de litros, de acordo com dados da própria empresa. Estudos publicados no ano passado apontam que grandes data centers podem consumir, por dia, 5 milhões de galões de água, equivalente ao consumo de uma cidade de 50 mil pessoas. Além disso, a Mordor Intelligence apontou que os data centers dos Estados Unidos consumiram quase 1 trilhão de litros de água, equivalente ao consumo hídrico anual de Nova York.
Impacto Ambiental
O impacto ambiental desses consumos é significativo. Além dos números de resfriamento, novas descobertas apontam para um número significativamente maior. Uma reportagem do The Wall Street Journal apontou que os documentos divulgados pelas empresas apontam apenas a água utilizada diretamente no data center e não o efeito em cadeia gerado por ela, como o aumento do gasto de energia e a água que a gera em alguns casos.
Efeitos na Abastecimento Local
Lorenzo Rosa, pesquisador de engenharia química da Universidade de Stanford e um dos líderes do estudo, afirmou que essas estruturas não estão sendo instaladas em paisagens vazias. Elas estão sendo instaladas sobre o sistema de abastecimento de água de cidades e fazendas. Isso pode levar a um estresse hídrico significativo, especialmente em áreas onde a demanda por água supera a oferta em pelo menos um mês do ano.
Soluções Alternativas
Com esses dados, a pesquisa ainda afirma que os 25% dos locais afetados poderiam aumentar para 33% em dez anos, além de se intensificar nas áreas anteriormente afetadas. E o problema não fica só na água. As grandes estruturas de tecnologia também criam as chamadas ilhas de calor, podendo elevar a temperatura local em até 9,1°C, o que poderia potencializar fenômenos climáticos extremos.
Conclusão
A pressão pública e até de investidores em alguns casos têm levado algumas empresas a buscar soluções para reduzir o consumo de água. As alternativas de resfriamento incluem circuitos fechados de água e o uso de água de reuso. No entanto, a necessidade de soluções que considerem a disponibilidade hídrica e os impactos ambientais continua sendo um desafio para a indústria de data centers.
Referências
- [Estudo da Universidade de Stanford]
- [Dados da Google]
- [Dados da Mordor Intelligence]
- [Reportagem do The Wall Street Journal]
- [Comunicado da Universidade de Stanford]
- [Dados da Nova York]
- [Dados da Universidade de Stanford sobre impacto climático]